o poema, quando caiu
esfarelou-se. acelerou o átomo. caiu de quatro. obliterou-se. foi lesma. e fausto. asno. um poema caido, knock-out .
Escrito por terto evangelista às 02:23 PM
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schopenhauer
"poucos escrevem como um arquiteto constrói: primeiro esboçando o projeto e considerando-o detalhadamente. A maioria escreve da mesma maneira com que jogamos dominó. Nesse jogo, às vezes segundo uma intenção, às vezes por mero acaso, uma peça encaixa na outra, e o mesmo se dá com o encadeamento e a conexão de suas frases. Alguns sabem apenas de modo aproximado que figura terá o conjunto e aonde chegará o que escrevem. Muitos não sabem nem isso, mas escrevem como os pólipos de corais constroem:uma frase se encaixa em outra frase, encaminhando-se para onde Deus quiser. A vida da atualidade é uma grande galopada: na literatura ela se manifesta por sua extrema frivolidade e desleixo" Arthur Schopenhauer, 1788-1860 ( A arte de escrever, Porto Alegre: L&PM, 2010 )
Escrito por terto às 06:36 PM
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MANIFESTA
meu te amo não é uma polaroid embora admire a espessura de um abraço instantâneo aspiro meu te amo a gesto da denise stoklos hasteio-o a dança, canto de índio meu te amo é anti-pastelão embora o picadeiro me comova : torresmo e pururuca meu te amo não dissimula : como vai, tudo bem ? não é verborrágico maniqueista hipocondríaco cômico trágico vigarista apesar do charme do golpe meu te amo não é a marilyn monroe do andy warhol nem a beleza de vitrais, acrílica meu te amo pretende-se literatura de cordel não é a carne que queima ou a cerveja que liquida-se nem mesmo as sobras discursivas bêbadas meu te amo hendrix não se compota como pêssego atravessa chumbo e paredes se anuncia no alto falante da praça central nota de utilidade pública : ama-se meu te amo dorme em papel jornal ostenta um varal de roupas breve toma sol radioativa abandona o córtex de algum lugar em mim quer ser gás, sólido , líquido meu te amo repudia a carnificina do mínimo ser meu te amo, é meu ultimato.
Escrito por terto às 07:37 PM
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EX SILÊNCIO
ENCONTRO POEMAS NAS RUAS, E NAS CORES FERIDAS. PORQUE NÃO HÁ MUSEUS EM CADA ESQUINA, ESCREVO.
Escrito por terto às 10:12 AM
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têmpera
pigmentos matizam o repouso de sombras, orvalho adentro.
Escrito por terto às 03:16 PM
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se o poema acerta em cheio, meio flecha, meio freia. se o poema acerta em cheio, meio cerca, meio ceia.
Escrito por terto às 11:29 AM
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até aonde a vista lança-se, ao buscar os verdes de Monet? bruma e pedras: eis os visgos dos poemas
Escrito por terto às 11:27 AM
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cerramos os punhos sobre o vidro. há um clima de sal, lá no íntimo. clareiras são abertas todas as manhãs, como ciladas justapostas. gruas arremessam tentativas de zelo. e há ninhos despedaçados por todo o chão. folhas sem movimento não são bom sinal.e o dia segue sem metáforas. puro metal. florestas de espelhos contorcem-nos. somos ovnis à tenra tarde. ninguém chove, nem molha. há latifúndios de egos por todo o térreo. e subir sem asas é íngreme. mesmo as sementes cooperam com ruídos. do sol, estalactites. e nem há juízo final verossímel. vazio é a cor mais cintilante. desaquarelas. piscinas rasas. as águas triscam roteiros para longe dos homens. sente-se falta de ocos. entretempos. respiros. terra contígua. interstícios. a luz prefere o devaneio sideral. e as carpas, estão mudas. de alto mar, redemoinhos conciliadores ?
Escrito por terto às 02:38 PM
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sobre poemas
poema é miscelânia, claro escuro, mutância, dúvida funda, certeza rasa, relutância e resignação. São inspirações para textos poéticos: obras humanas, de arte, paisagens,texturas, causos, rusgas, fachadas, vãos, firulas, feridas, enquadramentos, fundos de alma. tudo amálgama, como ninho. esquecimentos e respirações, sentidos. Projeções. poemas não contentam-se em si, são expansões,micro universos, devaneios, construções rígidas para alguns,asas bêbadas, quebradas. é difícil construir poemas que digam algo que não foi dito. é preciso estudar o estudo a que constantemente nos negam o acesso. ou mostrar que o poema é analfabeto, circunstância do vivido.
Escrito por terto às 02:16 PM
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previsão do tempo
choverão drummonds. tempestades de nerudas. ventos de bandeiras. leminskys em tufões. rajadas de gullares. vieiras em sermões. ciclones de machados. nuvens de pivas. sóis de barros. garoas de pessoas. redemoinhos de prados. calmarias de coralinas. estrelas de quintanas. monções dos anjos. arco-írs de lispectors. auroras de saramagos. cúmulus nimbos de vinícius. clarões de hildas hilsts. raios de netos.floradas.
Escrito por terto às 08:15 PM
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mar íntimo
nas manhãs encardidas de mar, ondas arrebentam nas flores: corais. nas manhãs encardidas de mar. abissais.
Escrito por terto às 08:48 PM
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natureza morta?
em todas as pedras, um jogo de espelhos. que homens clásticos, permeiam.
Escrito por terto às 03:11 PM
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ocobiografia
cuidava de garrafas. sem brilho. catava papéis. de várias matizes. sobras. panos. refugos.pedia jornais. nem tinha o quarto ano. não lia letras. garrafais. escrevia por outros. pedindo socorro. carregava bem. cortava mato para o cavalo. puxava carroça. todos os dias. metais. plásticos. serviços gerais. limpava terrenos. nunca ouvira falar de cursos técnicos. universidades. mba's. e que tais. foi burro de carga. pedinte. flanelinha. contratado em frentes de trabalho. bóia-fria. tomava cachaça. vivia turvo. foi vigia. roubou a firma. teve n filhos.vendeu cocada. pretas e brancas. pulseiras nas praças. tapetes. redes. vassouras. de várias cores. filtros de água. de casa em casa. cuidava de jardins. internos e externos. cortou cana. colheu algodão. desfiou sisal. quebrou mármore. morreu atropelado. numa alto pista. foi recolhido para pesquisa.descansou em paz. embebido em formol.de sol a sol.
Escrito por terto às 04:28 PM
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guarda um besouro, em sua antecâmara, um fonema azul.
Escrito por terto às 03:58 PM
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review
Meus poemas ficarão perdidos na fuligem cósmica.Errando, na sintaxe distendida e mole, contracorrente de meteoros.À procura de auroras e significantes infinitos, que não couberam num universo de memórias.Perfurando estrelas novas e seus brancos inéditos.Um feixe de cinzas do que fui, no jardim dos céus alegoricamente arranjados, como sonhei.Estrelas mortas.Buracos negros. Poemas que não terminaram uma guerra sequer.Poemas humanos.Letras aos pedaços expandindo-se cintilantes.Buscando desesperadamente novas formas de amor que não fomos capazes, nos interstícios das constelações.Novos arranjos de frases.Big bangs.Estilhaços em português,miragens poéticas evacuadas por cometas.Todos os meus silêncios e meus lutos lá estarão, formando anéis de versos sem conexão, elípticos,fermentando luas.Poemas desistentes, planando sem motores, sem erudição astronáutica, à deriva, telescópios cegos, esboços de planeta terra e de azuis que encardiram-nos.Todos não darão um livro, nem renderam-me um vintêm.Valeram-me pelos amigos e amigas e uma insinuação de existência.Pela vertigem, talvez.Agora serão uma incógnita perdida entre galáxias,ruas, avenidas e vias, lácteas.Serão como o leite derramado, e as infindáveis sondas que fiz a cerca de mim
Escrito por terto às 10:43 AM
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